‘’Papai Zé Candido e Mamãe Julia’’! Na fazenda cachoeirinha em Minas GERAIS.



Eu sempre fechava os meus olhos quando eu sentia que  algo não estava bem ou até mesmo quando eu fazia alguma arte! Fechar os meus olha  era uma forma que eu tinha de mentalizar os agraves da situação e chamar por deus! E quando fazia isto também era amor que eu queria! Na casa de mamãe Julia eu nunca precisei fechar os olhos, para sentir deus e seu amor! Ele estava estampado no sorriso de meus avôs e de minha querida tia Fátima. Quando as pessoas não se fecham em si, se doam o amor acontece, e isto e deus porque ele e amor. E quando eu fazia uma arte  e que não era pouca! E brincava com tia Fátima e com papai Zé Candido, eu sentia que mesmo aos treze anos poderia  recapitular toda minha infância sofrida, perdida e abandonada, era como se eu voltasse aos seis anos de idade, e começasse tudo outra vez! Desde aquele dia que sai da Cachoeirinha! Ali onde ali eu era feliz.
De manha tia Fátima ia pro Frigorífico, mamãe Julia ia vender ovos na vila, mas antes de sair me dava uma tarefa;

__Cate todas as piolas de Zé Candido, que eu te pago por elas, ela não gostava de cigarros e eu não catava só as do dia eu vasculhava em toda área, passava um pente fino no terreiro, nos buracos das  paredes, porque ele escondia quando ela reclamava da fumaça, e papai Zé Candido ate me ajudava a encontrar umas que ele escondia nos seus lugares mais secretos, e eu podia assim garantir o dinheirinho da merenda na escola. Assim a vida continuava prazerosamente, eu matava os pintinhos das galinhas pra brincar de casinha com Tia Fátima e fazermos galinhada, na bica da tia Isaura enquanto mamãe Julia não voltava da vila. Um dia ela nos pegou na fraga eu já havia depenado todos os pintinhos a bacia estava cheinha de cadáveres infantis de galinhas quando ouvi o grito apavorante de tia Fátima;
_­_ Marluce! Mamãe ta chegando esconde os pinto! E eu não tinha alternativo o jeito foi escondê-los debaixo da cama, mas tudo deu certo depois consegui pegar a bacia de pintinhos já mortos e já depenados e levar pra bica onde tudo acontecia, ao som do radinho ligado e bem alto! Os banhos as brincadeiras, e a farofa de galinha, ou melhor,  dizendo de pintinhos quase franguinhos  pois não era uma nem outra coisa  estavam  na adolescência passando de franguinhos pra quase no ponto. Às vezes conseguíamos galinhas de verdade as do seu Lazaro que vinham ciscar as plantas de mamãe Julia então eu não pensava duas vezes e a peraltice era certo,  eu não ouso falar aqui de roubo, porque não era uma espécie de troca o Zezinho filho dele pegava as galinhas da minha avó e além disso ainda me batia no caminho da escola, e me segurava pro seu irmão Henrique me bater, graças ao meu primo Moacir que me salvava eu Não apanhava tanto, não sei porque tinham tanta raiva de mim eu não fazia nada acho que era porque brigavam com meus primos e apanhavam então descontavam em mim, bem voltando as galinhas, eu tinha motivo de sobra pra mata lãs e  da o’’ troco’’ no Zezinho que me segurava pro outro me bater, eu deixava elas ciscar bem, ai eu dava meu bote pra pega-las elas eram bem gordas e  eu só precisava de mais força pra puxar os pescoços imaginem uma panela da galinha caipira com pimenta baianas das rochas   tiradas  no PE,  colorau e cheiro verde, apanhados na hora nos canteiros da horta de Papai Zé Cândido! Bem pegávamos as galinhas do seu Lazaro, em contra partida as da minha avó, que iam ciscar na horta dele também sumiam misteriosamente e não voltavam então ficava como uma troca, só que estas peraltices era um segredo meu e da tia Fátima, minha primas  Salete e Sueli nem imaginavam!  Acho que elas pensavam que as galinhas eram de mamãe Julia, então íamos felizes brincar de casinha na bica, na mina, no serrado e cada vez a galinhada ficava mais farta se não tinha galinhada  pra depois dos banhos na bica não tinha graça e na maioria ficava por minha conta e de tia Fátima, vez em quanto por conta de minhas primas, bem se elas pegavam galinhas escondido de tia Isaura, ou pegavam do seu Lazaro  eu não sei , mas as nossas eram conseguidas com muita astucia e sabedoria, bem quando eu não conseguia galinha ou não tinha força de puxar o pescoço delas então eu puxara dos pintinhos graúdos aqueles que  já estavam quase virando franguinhos, a idéia de uma galinhada ou farofa de galinha surgia no estalo, então púnhamos em pratica e nos divertíamos, brincar de casinha com musica no radinho e galinhada. De manha o dia  começava sorrindo os pássaros cantando nas laranjeiras, a cama tão gostosa que a vontade era, ficar ali apreciando o canto da variedade em espécies. Papai Zé Candido, ia buscar leite na fazenda do senhor Abatênio Marquês, quando chegava ascendia o fogo fazia o café fervia o leite e só então me chamava, com aquele meigo sorriso e doces palavras: Acorda Lucinha! Só então eu me levantava, ouvindo o loro a cantar o rio de piracicaba, tão alto que abafava o coro da orquestra dos pássaros  e no fogão de lenha havia dois pratos de escaldado quente  eu e papai Zé Candido parecíamos dois gatos em cima do fogão, esquentando do frio e tomando escaldado de leite. Meu vozinho papai Zé Candido já com a idade avançada e eu com catorze anos, mas o tempo não nos distanciava pela idade nossa felicidade de avô e neta era de igual,
por igual nos dois, parecíamos duas crianças, às vezes ele raiava comigo, pois eu não resistia a um jerimum cozido e comia as abóboras que ele caprichosamente cozinhava pros porcos, pois elas eram bem lavadas e cozidas com muito anseio! Por isso eu achava gostoso, papai Zé Candido raiava comigo e me chamava de porquinha, mas em suas broncas, ele deixava sempre um meigo e terno sorriso escapar, de seus lábios me olhava dentro dos olhos e dizia:

__ Lucinha, Lucinha! Você não tem jeito! E ele punha um sorriso em cada palavra e eu o admirava, admirava! E a expressão do seu rosto terno a me olhar era como se dissesse em cada gesto do seu semblante o quanto me amava. Quando as pessoas não se fecham o amor age e não a necessidade de palavras, porque ele se revela em doação. Hoje estão no paraíso'' quem me amou como avôs me deram carinho, cuidados, proteção e amor de verdadeiros pais''. Mamãe julha e papai  Zé Candido.

Marlucia Divina da Silva Medeiros